Pesqueiro

Pesca em Águas Interiores => Preservação => Tópico iniciado por: Hermano em 13:11 Segunda, 17 de Abril de 2017

Título: siluro no Tejo
Enviado por: Hermano em 13:11 Segunda, 17 de Abril de 2017
[Não tenho certeza se abri este tópico no local certo; se não for o caso peço à Administração do Fórum o favor e a paciência de o mover]

Num artigo de 14 de abril do Público, a dado momento diz-se:
"As águas de lastro que os navios despejam, a incrustação em cascos de barcos e a pesca desportiva são, segundos os investigadores, as principais causas para a chegada aos nossos rios de espécies não naturais."

A minha pergunta aos amigos do pesqueiro é de que forma é que a Pesca Desportiva tem sido responsável pela proliferação de espécies não autóctones? O exemplo dado refere-se a introduções feitas em Espanha. Em Portugal que espécies terão sido introduzidas por praticantes da pesca desportiva?

https://www.publico.pt/2017/04/14/sociedade/noticia/ha-um-gigante-no-tejo-pode-pesar-100-quilos-e-ter-dois-metros-1768720 (https://www.publico.pt/2017/04/14/sociedade/noticia/ha-um-gigante-no-tejo-pode-pesar-100-quilos-e-ter-dois-metros-1768720)

(https://imagens.publicocdn.com/imagens.aspx/1124166?tp=UH&db=IMAGENS)
Título: Re: siluro no Tejo
Enviado por: LMagina em 13:24 Segunda, 17 de Abril de 2017
Boas!

No caso das espécies de água doce os grandes responsáveis pela introdução de espécies chamadas invasoras são os pescadores lúdicos no sentido em que há "iluminados" que pescam exemplares num sítio e os mantêm vivos para os ir depositar noutro.
Sei que já foram apanhados no Douro a tentar descarregar peixe proveniente do centro da Europa, mas deve haver mais situações destas... Será necessário, no entanto, pesquisar.
Como diz no artigo em relação aos siluros: "Mas já é por cá, porém, um troféu de pesca desportiva muito procurado, tal como acontece em muitos outros países."
E há pessoal que não pensa em mais nada do que apanhar peixe grande. Lamentável...!
Título: Re: siluro no Tejo
Enviado por: Hermano em 13:53 Segunda, 17 de Abril de 2017
Obrigado pelo esclarecimento Luís,
pensava que estas espécies eram introduzidas por quem achava dali retirar valor (comercial).

Recordo-me dum trabalho que fiz nos tempos em que estava ligado ao departamento de Geografia da FLUP, no final da década de 90, nos esteiros de Salreu (baixo Vouga lagunar), que deves conhecer!?. Uns anos antes tinham sido introduzidos uns lagostins, penso que o Procambarus Clarkii https://pt.wikipedia.org/wiki/Procambarus_clarkii (https://pt.wikipedia.org/wiki/Procambarus_clarkii) que hoje em dia, segundo sei, continua a chamar muita gente que vai para lá apanhá-los, colocando em risco um ecossistema frágil e fragilizado por esta espécie infestante.

Mais uma vez obrigado pelo esclarecimento. É preciso elevar o nível de consciência (se calhar acompanhado de muito mais fiscalização!?)

Já agora uma outra pergunta. Achas que é técnica e economicamente viável continuar esse trabalho de captura (e não devolução) de espécies infestantes / não autoctones!?
Abraço muito amigo desde Timor-Leste
Título: Re: siluro no Tejo
Enviado por: quink644 em 14:00 Segunda, 17 de Abril de 2017
Desconfio sempre destes estudos e destes tipos, na Europa há siluros com fartura e não é por isso que não há outros peixes... Aliás, pelo que sei, agora até querem acabar com as carpas e os achigãs... As carpas estão cá desde o século xvi e os achigãs não sei ao certo, mas há já muito tempo. Pergunto, tiram os peixes todos aos rios e estes ficam para quê, para os esgotos?
Título: Re: siluro no Tejo
Enviado por: Hermano em 14:08 Segunda, 17 de Abril de 2017
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Desconfio sempre destes estudos e destes tipos, na Europa há siluros com fartura e não é por isso que não há outros peixes... Aliás, pelo que sei, agora até querem acabar com as carpas e os achigãs... As carpas estão cá desde o século xvi e os achigãs não sei ao certo, mas há já muito tempo. Pergunto, tiram os peixes todos aos rios e estes ficam para quê, para os esgotos?

Creio que efectivamente estes bichos são grandes predadores e isso não interesse nem ao ecossistema, nem aos pescadores profissionais ou lúdica.

Além disso, uma das coisas que se sabe acerca destas espécies é que são portadoras de bactérias transmitidas a outros peixes, pondo em risco espécies autóctones. No artigo do público creio que não há referência à sub-espécies mas este artigo é interessante:
http://animaldiversity.org/accounts/Silurus_glanis/ (http://animaldiversity.org/accounts/Silurus_glanis/)
Título: Re: siluro no Tejo
Enviado por: Hermano em 14:09 Segunda, 17 de Abril de 2017
O Achigã foi introduzido no final do século XIX
Título: Re: siluro no Tejo
Enviado por: LMagina em 14:15 Segunda, 17 de Abril de 2017
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Desconfio sempre destes estudos e destes tipos, na Europa há siluros com fartura e não é por isso que não há outros peixes... Aliás, pelo que sei, agora até querem acabar com as carpas e os achigãs... As carpas estão cá desde o século xvi e os achigãs não sei ao certo, mas há já muito tempo. Pergunto, tiram os peixes todos aos rios e estes ficam para quê, para os esgotos?

O facto de haver carpas e achigãs não quer dizer que isso tenha sido benéfico para os rios, lagos ou lagoas. Quantas espécies se perderam por causa dessas?
O facto de haver siluros na Europa juntamente com outros peixes, não significa que sejam as mesmas espécies que temos cá.
Poderão ser compatíveis? Umas sim, outras não, com certeza...
Toda a gente deveria ser contra a introdução seja de que espécie for num meio ambiente, a não ser que essa introdução seja validada cientificamente com estudos de impacto ambiental e não por uns "cromos" quaisquer que acham por bem fazê-lo...
Título: Re: siluro no Tejo
Enviado por: Rider em 15:17 Segunda, 17 de Abril de 2017
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A minha pergunta aos amigos do pesqueiro é de que forma é que a Pesca Desportiva tem sido responsável pela proliferação de espécies não autóctones?

A resposta está no texto.

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siluro, por exemplo, terá chegado à Península Ibérica na sequência de uma introdução propositada desta espécie por pescadores alemães que a queriam pescar no Tejo.
Título: Re: siluro no Tejo
Enviado por: Hermano em 15:25 Segunda, 17 de Abril de 2017
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A minha pergunta aos amigos do pesqueiro é de que forma é que a Pesca Desportiva tem sido responsável pela proliferação de espécies não autóctones?

A resposta está no texto.

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siluro, por exemplo, terá chegado à Península Ibérica na sequência de uma introdução propositada desta espécie por pescadores alemães que a queriam pescar no Tejo.
Sim, mas queria saber até que ponto era verdade
Título: Re: siluro no Tejo
Enviado por: Beto_Manja em 17:45 Segunda, 17 de Abril de 2017
Boas,

Antes até das introduções de espécies, o homem introduziu outros elementos com impactos brutais na natureza, por necessidade ou interesse, mas sem dúvida que as barragens são o exemplo máximo disso.
A carpa e o achigã, vieram povoar estes novos sistemas de águas mais paradas, que não favorecem as nossas espécies autóctones mais adaptadas a riacho e ribeira.
Nos dias de hoje, com tanto estudo e exemplos que nos chegam de outros lados, fazer introduções de espécies em ambientes fechados, é só estúpido...

Sou obviamente contra introduções ilegais mas, paralelamente, sou também contra aquele novo movimento de matar carpas e achigãs, o ecosistema foi alterado e não é agora por dizimarem estas espécies que volta a ser o que era, só vai ficar ainda mais morto...